Rapsódia Boêmia
29/11/2018 12:37 em Música

Como eu queria que esse filme fosse bom... a banda merecia, o público que adorar eles também... infelizmente tudo que podia dar errado numa biografia de rock dá. Tudo menos a música da banda, que em muitos momentos redime tudo.

O maior problema de filmes biográficos autorizados aparece aqui, com destaque. A família e o resto da banda, que por sinal bancaram tudo, quiseram ‘limpar’ a imagem de Freddie, e o colocam como um ingênuo, que é levado pelo empresário a soltar a franga e liberar os seus instintos. Também inventaram um arco de roteiro aonde Freddy, o arrogante egomaníaco, quer a aprovação de seu pai para tudo que está fazendo... lembra muito uma novela mexicana, ou brasileira. Uma pena. A parte dramática do filme é uma bagunça.

Erros fáticos também incomodam. Não acho que um filme biográfico tenha que ser 100% factual, mas quem montou o roteiro conseguiu bagunçar tudo. Colocou o show do Queen em São Paulo, que foi em 1981, nos anos 70, quando Freddy Mercury ainda usava cabelos compridos. E ele aparece falando isso no Rio, cidade que ele só veio a tocar em 1985. É muito esquisito também ver o baterista Roger Taylor reclamando que Mercury estava gravando um disco solo... quando ele mesmo, até aquele momento, já tinha gravado dois. Também se confundem a ordem dos discos... não tinha ninguém da banda por perto prá botar ordem nessa zona nessa hora?

E não, a banda não estava separada quando decidiu tocar no Live Aid. Tinham feito o consagrador show no Rock in Rio dois meses antes, e estava compondo para o disco que seria ‘A KInd of Magic’, que viria a sair em 1986. Não, Freddy Mercury não contou para a banda que estava com Aids antes desse show, para juntar a banda e convencê-los a se reunir e tocar. Ficou sabendo disso só em 1987, dois anos depois. Não, Freddy Mercury não compôs ‘Who wants to live forever’ para falar de sua condição de aidético. Quem compôs essa música foi Brian May, para a trilha sonora de ‘Highlander’. E por aí vai. Um filme não é fonte primária de história, pode tomar liberdades para contar uma história de forma mais simples e clara, mas a quantidade de erros NUM PRODUTO OFICIAL DA BANDA, que poderiam ter sido facilmente detectados e corrigidos, irrita.

Enumero os defeitos para falar nas qualidades. A reprodução da banda no palco é sensacional. Ramzi Malek está igual ao Freddy Mercury original, numa interpretação quase mediúnica. Reproduz todos os trejeitos do original. E se eu fosse o ator que faz o Brian May jovem eu pedia um teste de paternidade. Tá igual. E o que falar da reprodução do show consagrador no Live Aid, que encerra tudo? Chega a ser assustador, ficou igual, como é facilmente comprovável no Youtube. Encerra o filme prá cima, de forma empolgante.

Resumindo, ‘Bohemian Rhapsody’ é um filme fraco dramaticamente com excepcionais momentos musicais. Caso o espectador se dispuser a passar por cima da estrutura mequetrefe de roteiro verá grandes músicas sendo excepcionalmente bem tocadas. A escolha é de quem vai ver o filme.

Belarmino.

COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!
PUBLICIDADE