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Cultura de Futebol – Mudanças?

Written by em 19 de julho de 2020

E Jesus foi-se. Falo de Jorge Jesus, treinador português com passagem pelo Flamengo onde levantou os canecos da Libertadores e Brasileirão no mesmo ano. Jogou sempre com pé no acelerador, evitando poupar jogadores e sem priorizar competições. Jogando um futebol de velocidade, intensidade altíssima, objetividade aguda e ocupação de espaços (ocupação de espaços também se aplica à ofensividade, não só defensivismo. Triangulações, opções de jogo, movimentação intensa, enfim). É bem verdade que o Flamengo tinha uma verdadeira seleção, uma equipe de suporte, médica e processos muito acima da média. Jesus mostrou certa soberba (falo do treinador), mas em geral vencedores, suas convicções e vaidade acabam soando soberbos. Faz parte. Diminuir suas conquistas é não observar o que ele trouxe de novidade, é não aproveitar para se reinventar nas suas convicções (algumas tortas sob o ponto de vista que vejo e gosto de futebol) e entender que podemos evoluir. A celebração da sua saída por parte de demais torcedores é compreensível, faz parte do folclore do futebol. Esta postura partindo de técnicos e profissionais da bola é que me parece um tanto míope. Odair Hellmann – o do fato novo, que precisou sair do inter para ser campeão – largou esta semana: “Queria ver ele treinando um time com salários atrasados”, Renatão já havia falado sobre os 200 milhões que o Flamengo investira, Luxemburgo não perde oportunidade de relevar e desfazer o trabalho do português…

Vejo uma mudança na nossa forma de jogar no Brasil que começou com o Grêmio, ainda com Roger e suas ideias sobre futebol, tomou corpo e força com Renato na casamata com o Grêmio jogando o fino da bola em 2016 e 17, encantando multidões aqui e no mundo, jogando pra frente, propondo sempre o jogo com controle, posse, ocupações de espaço… E veio Jesus (o técnico) e mostrou uma nova visão e forma de encarar o jogo. Ao contrário de muitos, gostaria de vê-lo por aqui mais uma temporada e que isto ajudasse a gente na transição do futebol por resultados, jogar por um golinho, empate fora de casa é bom para um futebol que siga buscando insistentemente a vitória, em casa ou fora, com pé no acelerador como nós mesmos já jogamos. E que os bons técnicos, inteligentemente aproveitassem para também evoluir. Torço pelo Grêmio sempre, mas gosto do bom futebol.

O Grêmio começou uma mudança no futebol por estas bandas, na nossa forma histórica de jogar. Flamengo estava na mesma linha, mas ainda mais aprimorado. Que esta lufada de novidade seja contínua. E que nós reencontremos o caminho das boas performances. Nos acostumamos mal Grêmio, te vira Renato.

Saudações tricolores

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA


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