DOIS 10 DESTROÇADOS, DESTROÇOS DE UM BARCELONA

Escrito por em 17 de agosto de 2020

Não é preciso ir muito a fundo na história quando se fala em “maiores camisas 10 da história do Barcelona”. Em uma lista não muito extensa, em algum lugar, figurarão Messi e Ronaldinho Gaúcho.

Dois camisas 10. Tive a honra de ver ao vivo pela TV a estréia de Messi, ainda vestindo a 30. Em alguns instantes em campo, cavadinha genial de Ronaldinho, gol por cobertura de Messi. Anulado. Muito mal anulado. A posição era legal. Minutos depois, um lance que muitos desatentos pensaram se tratar de um replay. Mas não era. Nova cavadinha de R10, gol do Messi. O então guri franzino, sem tatuagens e de melenas longas, anotava seu primeiro tento como jogador profissional.

Contar a história de cada um dos dois, seria muito significativo, para o bem e para o mal. Desde a infância sofrida de Messi (que precisou de tratamento no próprio Barça a fim de criar um mínimo de massa pra poder jogar futebol), passando pela juventude apilantrada de Ronaldinho. Uma carreira brilhante em campo, uma podridão nos bastidores, orquestrada pelo chefe da picaretagem Assis, que poderia ter mudado os rumos do Grêmio, e ao mesmo tempo ter adquirido a mesma fama, o mesmo prestígio, o mesmo dinheiro. E quem sabe, sem o ódio da torcida do clube que ele “diz” amar, não teria esse melancólico fim, preso com documentos falsos, ironicamente em um país famoso por suas falsificações.

Enfim, quero falar sobre os dois maiores fiascos da rica história do Barcelona, dos quais ambos foram, se não exatamente protagonistas, foram “efêmeros” participantes.

Num dia qualquer, que não faço questão de procurar no Google, o SCI de Poa vencia o Barcelona (que, embora com um mistão, ainda era o Barcelona) e vencia a copa Toyota. Ronaldinho, bem…trotando em campo, sem tesão e sem entusiasmo, deu uma enganada em um chute de falta mais ou menos defensável. E mais nada.
Messi, o então prodigio, e Eto’o, o artilheiro, eram dois dos que estavam fora, lesionados. Mas não justifica. Perdeu. Com um chute a gol, mas perdeu. Falam alguns que o “R10” foi após o jogo comemorar junto com os vermelhos. Prefiro acreditar. De coração. Como não pagaram nem o Paysandu, alguém de fora tem de ter pago o chopp.

E o jogo deste dia 14 de agosto de 2020. Barcelona 2 x 8 Bayern. O segundo maior vexame da história do clube catalão. E ele começa exatamente na estréia de Messi. Lio era muito do Ronaldinho no início. Seu entusiasmo em jogar futebol era cativante. Fez de R10 um dos seus melhores amigos. Tinham uma relação muito próxima, se procuravam e se achavam em campo, e o Barcelona funcionava, com dois gênios orquestrando o time. Messi fazia gol atrás de gol, e sorria, de forma franca, com a inocência de um guri que saiu ainda criança de algum fim de mundo da Argentina (começou no Argentinos Juniors, famoso celeiro de craques), e que se via iniciando uma história linda em um dos maiores clubes do mundo.

Mas veio a saída do Gaúcho. E Messi, mesmo tendo crescido tecnicamente, protagonista de uma máquina soberana a partir de 2009/2010, estampou desde então, em cada traço do rosto, a falta de alegria em jogar futebol. Vieram títulos e artilharias pelo Barça, troféus individuais como melhor do Mundo… E nada parecia arrancar um sorriso franco e humilde do Lionel que brilhou no brilhante (com o perdão da redundância) início da carreira.

E de alguns anos pra cá, desembocando no fatídico dia citado, Messi parece possuir um eu abalado, um espírito destroçado. Não sei se é a pressão pelos “quases” (Copa do Mundo, Copa América, Copa América Centenário), se foi por nunca ter conseguido dar um título ao seu país, que o cobra como se fosse ele o responsável por uma geração tosca, medíocre, fracassada…jogadores com altos salários, nos maiores clubes do mundo, passando vergonha atrás de vergonha. Não sei se é pela falta de reconhecimento de “hinchas” extremistas, os que puxam as bandas podres das hinchadas, que ainda o consideram “espanhol”.

Mas isso é a Argentina dos últimos anos, décadas. E quase todo o peso recaiu sobre o melhor jogador argentino de todos os tempos, na MINHA opinião. Acho que Messi já superou Maradona. Faltaram os títulos, e isso me parece ser o grande motivo da frustração de Lio. E da falta de reconhecimento a um jogador que beirará os mil gols.

Esses dois gênios da bola, em suma, foram participantes ativos dos dois maiores vexames da riquíssima história do Barça. Basta ver, nos momentos derradeiros, quais faces abatidas as dezenas de câmeras buscaram em cada partida. Ainda coloco o vexame de 2006 como o maior, mas como o de 2020 ainda é muito recente, refletirei durante alguns dias.

Ronaldinho, pela falta de profissionalismo que, posteriormente, o levou a disputar jogos comemorativos e a falsificar passaporte. E Messi, por ter perdido a alegria, e ter buscado em Neymar o gosto por cabelos pintados, tatuagens e noitadas (e em CR7 a busca pela perfeição e da competição individual abdicando do conjunto e da alegria). Duas figuras que representam o auge e o apogeu de si próprios, dentro de um multicampeão, desacostumado a passar vergonha.

Dois gênios que serão lembrados como os pilares e os destroços do Barcelona. E em 2100, talvez ninguém sequer lembre que um dia jogaram e brilharam juntos. Mas sem dúvidas, ficará a memória de dois gênios, que ganharam muito, mas participaram dos dois piores fiascos de um dos maiores clubes do mundo.


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