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ENTENDENDO UM POUCO MAIS A IVI

Escrito porem 17 de julho de 2020

Era uma vez… Hugo. Ele era uma criança normal. Seu brinquedo favorito era a bola. Para desespero de sua mãe, jogava bola na sala, no quarto, no quintal e no meio da rua. Quando não era futebol, era futebol de botão, ou vídeo game. Ouviu do seu pai que deveria escolher um time e que deveria ser gremista ou colorado. Ele escolheu seu time e aquilo iria lhe acompanhar para o resto da vida.

Huguinho tinha certo em sua mente que seria jogador de futebol. Foi incentivado por seus pais, fez escolinha e jogava na pelada com seus primos mais velhos. Ele tinha certeza que era especial. Tudo estava planejado em sua mente, com 12 anos iria fazer uma peneira e, como sempre ouviu de seus pais que ele jogava demais, seria natural que seu talento fosse reconhecido.

O grande dia chegou… a peneira aconteceu e Hugo não foi selecionado.

-Injustiça! Declarou o pai!

Huguinho desolado, ouviu que poderia fazer o teste outras vezes. Assim foi… duas, três, quatro vezes. Até que o homem que aplicava o teste declarou:

– Ele não será selecionado! Atualmente, com menos de 1,70, com 12 anos, nenhum guri fica!

O pai disse para Hugo. Sem problemas filho… tu tem mais talento que eles, mas tu é baixinho.

Hugo amava seu time, amava futebol. Toda sua vida foi em torno do seu time. Ele sabia, afinal seu pai o havia dito, que era especial. Ele sonhava em viajar, viver o clima do estádio, viver a emoção das decisões e então pensou… Posso trabalhar no rádio, ou na TV e vou poder viver tudo perto do meu time. Perto dos ídolos.

Feito isso, cheio de idealismo, entrou na faculdade de jornalismo, sabendo que era questão de tempo, e pouco, até que o seu talento fosse reconhecido. Hugo não deixava de ir ao estádio, de ouvir rádio quase 24 horas por dia. Acompanhava tudo e sabia décor a escalação do título da década de 70.

Um dia, finalmente, surgiu aquele estágio na rádio. Ele foi, pensando: “Finalmente meu talento foi descoberto… Terei a oportunidade e o mundo irá me conhecer”. Chegando na rádio, a primeira pergunta que ouve de um velho radialista é:

-Qual teu time guri?

O menino gagueja, mas diz seu time. Em seguida escuta do homem que o entrevistava:

-Tá bom, mas aqui o time é a emissora. Não importa pra quem tu torcia antes.

Ao entrar na rádio, percebe que algumas das suas ideias não são aceitas. A rádio tinha um time. O diretor do clube era amigo do diretor da rádio. Tomavam vinho juntos. Algumas das notícias eram editadas. Hugo, também, começou a ganhar espaço. Pensava que não era o momento de confrontar, afinal, um dia, com seu talento, poderia finalmente fazer o jornalismo que ele acreditava. Pensava que, também, a recompensa financeira viria, afinal, ele era melhor que os outros. Seus colegas, sem brilho no olhar, diziam pra o guri cair na realidade.

O tempo foi passando, seu pai que dizia o quanto era especial, não viveu suficiente para ver seu filho brilhar. Aos pouco, Hugo foi ficando igual aos seus colegas. Porém, finalmente, seu momento chegou. Fora convidado para almoçar com o diretor daquele clube. O convite foi para que o dirigente lhe explicasse qual a estratégia para que o clube voltasse a ser o maior do sul. Hugo tomou vinho, comeu salmão e ficou empolgado… Afinal, estava recebendo de um diretor, a informação exclusiva. Chegou na rádio, empolgado, e entrou no ar, dando, em primeira mão a notícia que havia recebido de seu novo amigo.

Logo depois, ouviu do diretor da rádio: Hugo, hoje à tarde, você irá entrevistar o novo candidato a estágio na emissora.

A metáfora da história do Hugo mostra como funciona a IVI. Trata-se de um sistema que rouba carreiras, dá espaço para aqueles que se adaptam e vendem seus sonhos. Lembrem-se: As rádios têm time. Time que rouba uma rua, não tem problema em comprar uma rádio.

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