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GELO NO VINHO

Escrito porem 8 de janeiro de 2020

Findava mais uma jornada de trabalho. Chegou em casa, tirou a suada camisa e sentou-se na varanda a mirar o céu de nuvens carregadas. A tormenta se avizinhava, após o mormaço do dia.

O calor de dezembro é terrível. Ainda não é calor de verão, e talvez seja por isso. As temperaturas era amenas até poucos dias atrás. Acostumar não é fácil. E ele não se adapta facilmente a mudanças bruscas.

Deixou o banho pra mais tarde, embora se sentindo incomodado com os nada agradáveis sintomas cutâneos de um dia de abafamento. Pensou em abrir uma cerveja no pelo, mas abortou a ideia. Havia bebido vinho no almoço. Duas taças, um brinde à sexta-feira. E ele detesta misturar vinho e cerveja no mesmo dia. Abomina.

Foi à geladeira à cerca de uma saborosa taça de moscato geladinho, e topou com a realidade: esquecera de pôr pra gelar seu amado fermentado de uvas. Encher a taça e colocar duas ou três pedras de gelo era tentador, mas ele resistiu. Não se coloca gelo no vinho, em nenhuma hipótese. Vinho no gelo sim, gelo no vinho, não, jamais!

Pôr gelo no vinho significa tirar dele suas propriedades mais marcantes, o aroma e o sabor. Em português claro, o vinho fica “aguado”. Assim sendo, preferiu pôr o vinho pra gelar e aguardar pacientemente, enquanto mirava o anteontem da varanda de sua casa.

Ah, o anteontem…o que poderia ter sido, pensava ele. Cada momento do Grêmio de 2019 lhe passava como um slideshow. Nenhum movimento, apenas lâminas estáticas, reproduzidas quadro a quadro, do que foi e do que poderia ter sido.

Citar os momentos vistos nesse sublime delírio seria maçante. Todos nós sabemos. Renato quis apreciar o melhor dos vinhos, mas o encontrou em temperatura ambiente. Seu paladar o exigia gelado. Ao invés de, pacientemente, aguardar o vinho gelar enquanto mirava o anteontem de sua varanda, nosso general multi estrelas decidiu cometer o maior dos sacrilégios. Pôs gelo no vinho, e quis empurrar goela abaixo à força. Ele bebeu, eu bebi, todos nós bebemos, um vinho insosso, aguado.

Aguentamos André, Rômulo, Galhardo, Capixaba, Michel, Paulo Miranda na lateral, Montoya fora de posição, Tardelli em todos os lugares e em nenhum ao mesmo tempo.

Terminamos partidas com 6 atacantes. Renunciamos ao futebol em nome de um avançar indígena. Sonhamos com a América e acordamos com sabor de cabo de guarda-chuva.
Vimos e vivemos um pouco de tudo nesse 2019. E sobrevivemos!

Um título ruralito, duas semifinais e vaga direta à Libertadores. Eu sei que é pouco pra nossa grandeza. Mas, sendo fruto de um vinho aguado pelo indefectível gelo, foi bom demais.
Renato renovou, e sua missão em 2020 é apenas uma: substituir o gelo no vinho pelo vinho no gelo.

Requer paciência? Sim. A torcida a terá? Não sei. Como será esse processo? Renatão é muito bem pago pra resolver isso. E sem as carregadas nuvens que se avizinhavam naquela cidade interiorana.

Falando nisso, a chuva já havia chegado por lá durante essas deduções. Cara de chuva passageira, de um verão que ainda não chegou no calendário, mas que promete…

Deus abençoe os céus de amanhã do Humaitá. Sem nuvens de tormenta, e principalmente, sem gelo no vinho.


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