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GÎTÂ – O DIEGO, O CEBOLINHA E O CAPITA

Escrito por em 10 de agosto de 2020

Rimou né? Mas foi coincidência pura. O trocadilho trocadeiro teve outro viés. A canção do saudoso e genial Raulzito Santos Seixas. O início, o fim, o meio.

Tentar escrever algo que a genialidade de Raulzito nos proporcionou seria tolice. Mas, fazer um comparativo do Grêmio com sua obra não deve causar nenhum dano maior, tampouco assombrar minha pessoa em noites de lua clara, cheia ou não. Assim como eu, Raul Seixas tinha sua conjunção astral regida pela lua (um dia de diferença no aniversário), e portanto entendemos, ele no passado e eu no presente, a tortura que é viver sob um astro tão instável. Aliás, as pessoas ao nosso redor provavelmente também sabem.

Mas quero falar de Grêmio. E em especial dessas três figuras. Há muitos outros que mereceriam representatividade em um texto que aborda “volta por cima”, mas creio que já fiz as devidas homenagens em textos anteriores. Falta o Kannemann, mas ele vai ter seu espaço, até pra eu agradece-lo por ter levado pessoalmente em seu carro minha camiseta ao treino para o elenco autografá-la.

A volta por cima do Grêmio começa em 2005, na Batalha dos Aflitos. Recordar é viver, mas quero pular essa parte. Dois anos depois, 2007, éramos finalistas da Libertadores, eliminando na semifinal o arrogante Santos, em uma Vila Belmiro lotada, e diante de um ambiente de hostilidade multiplicado por mil. Passamos, e eu chorei. Lembram de um dos símbolos daquele Grêmio? Sim, Diego Souza. Jogou demais. Pena que aquele time sucumbiu diante de um Boca Juniors que era bom, mas que pegou o neófito Mano Menezes que caiu na falácia do “pecho frío” Juan Román Riquelme (outro da conjunção astral lunar, e de fato não temos coração quando alguém nos desafia), e proferiu a célebre e maldita frase “cala a boca e joga!”. Ah, se tivesse só mandado calar a boca…

O tempo passou…os 15 anos sem título de expressão vieram, e o achado de algum lunático da nossa direção surgiu. Maicon, corrido sob vaias do então poderoso (na teoria) São Paulo, com a justificativa de ser “lento e previsível”, chega pra orquestrar um meio-campo que viria a vencer Copa do Brasil, Libertadores, Recopa, recuperar a hegemonia na aldeia e…tudo isso eventualmente com os tendões “podres”, segundo ele próprio, mas com uma raça de padrão nível Grêmio!

E o terceiro personagem, Éverton Cebolinha Lembro de quando trouxeram o CR7. Não entendam mal, me refiro ao Cristian Rodríguez, alcunha “Cebola”, que chegou vestindo a 7. Quando ele saiu, quase sem jogar, diziam que “o cebola se foi, mas tem o Cebolinha, que está voando nos treinos pra cavar seu lugar”. Confesso que não botei muita fé. Mas pensei, foi-se um cebola, fica outro. Talvez seja destino. E foi.

Esses três personagens se confundem cada vez que ouço a melodia inebriante e a letra genial do saudoso “canceriano sem lar”. “A luz das estrelas, a cor do luar, as coisas da vida, o medo de amar…”. Cebolinha quase foi embora antes mesmo de estrear, diante de um quadro depressivo. Diego Souza foi embora, em um momento em que o Grêmio, ainda estropiado financeiramente, não foi páreo para o Palmeiras. Parte da torcida não entendeu, e cometeu o sacrilégio de vaia-lo, impiedosa e injustamente em sua primeira partida no Olímpico após a saída. Aliás, talvez os mesmos que idolatram o Judas que traiu duas vezes, o pilantra mercenário, que segue sendo o camisa 10 do time do presídio no Paraguai.

E o Capita, que revezou a capitania com Pedro Geromel em muitos momentos, e que viu com orgulho o mesmo Cebolinha acima citado receber a faixa do “Geromito” pra erguer sua última taça pelo Grêmio, justamente em sua despedida. Despedida que coincide com o ano de retorno de quem representa o início, Diego Souza. Que retornou à casa, mas com o mesmo espírito Tricolor que o consagrou. E honrando o Manto, tal qual outrora. Em outra posição, com o mesmíssimo faro de gols e assistências.

As eras se misturam, e isso traz um cenário nostálgico e bonito. Já não há como dizer qual é o início, o fim, o meio… “Você me tem todo dia, mas não sabe se é bom ou ruim”. A frase de Gîtâ que melhor define a carreira de um jogador dentro de um clube.

Os anos passam, a carreira segue. Assim como a obra de Dom Raulzito, e de todos os demais gênios. Cebolinha pode voltar um dia. Maicon pode ser decisivo ainda, mesmo que seja apenas nos bastidores, o que já vem fazendo há alguns anos (Arthur e Matheusinho sabem bem disso). E Diego Souza, bem…esse é a prova viva e ativa. Iniciei com uma rima e encerro com outra.

Quando vejo o geral vermelho comemorando goleada sobre Esportivo e Aimoré, e tomando tunda atrás de tunda em Grenal, imagino uma frase da canção impregnada na mente de cada um deles, como uma suave melodia vinda de algum setor de um lotada Arena: “Talvez você não entenda, mas hoje eu vou lhe mostrar”.

Grêmio, um clube com profissionais que fazem jus à grandeza. No início, no fim, e no meio. Não necessariamente nessa ordem.

Gratos por tudo, sempre. Bons filhos têm dois caminhos: a casa não abandonar, ou sair e à casa retornar. Quem não der valor a isso, é merecedor de comemorar mais vitórias em Grenal de gauchão. Quase como comparar “Gîtâ” com “Ai se eu te pego”.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA


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