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NOSSA PRIMEIRA LIBERTADORES: 37 anos

Written by em 28 de julho de 2020

Hoje é um aniversário especial. Faz 37 anos da nossa primeira Libertadores. E isso é muito importante para nós. A Libertadores é a cara do Grêmio, um time talhado para as liças mais duras, para os desafios grandes, paras as superações memoráveis pois não é à toa que somos Imortais. Afinal, é o Grêmio e não adianta.

A nossa Primeira Conquista das Américas foi a mais bela de todas. Assim mesmo, em maiúsculas porque aquela vitória foi de uma grandeza tal, de um heroísmo mesmo, diante das circunstâncias, estando gravada na memória de todos os gremistas, mesmo os que não viveram aquele momento mágico. E é essa superação e essa garra que queremos ver em campo hoje à noite.

Há trinta e sete anos ganhávamos a Libertadores. Em 28 de julho de 1983, um frio dia de inverno em Porto Alegre, conquistávamos a América. Nossa grandeza imortal tornava-se incomensurável, extravasava as fronteiras e, agora Continental, era o primeiro passo para torná-la mundial (o que veio efetivamente a acontecer). Afinal, tomáramos de assalto o continente americano, a América era nossa pela primeira vez. Àquela equipe heróica e copeira, com tantas centelhas de genialidade, temos muito a agradecer. A todos e a cada um dos jogadores e à comissão técnica. É por causa deles que somos tricampeões da América. Que os jogadores hoje busquem inspiração naquela esquadra vencedora.

Já tive oportunidade aqui de falar do privilégio de ser gremista e partilhar com todos algumas memórias de infância, e essa Libertadores naquele longínquo ano de 1983 é uma dessas indeléveis memórias. Nossa campanha na Libertadores foi muito boa, com apenas uma derrota e sete vitórias quando chegamos à final. Ganháramos do Flamengo por 3×1, por exemplo, em pleno Maracanã! A equipe comandada por Espinosa era, sim, excelente. E a campanha provara isso levando-nos com autoridade às finais. O primeiro jogo foi em Montevidéu e houve um empate.

A imprensa do Uruguai dizia que o Peñarol era o favorito (o que a imprensa gaúcha também fazia, diga-se de passagem) e, sinceramente, os torcedores uruguaios também acreditavam piamente nisso, não sem certa base, de vez que a equipe uruguaia buscava o quinto título da libertadores. Era um time de respeito. Por isso lhes doeu tanto quando, no primeiro tempo, Tita abriu o placar, ali pelos doze ou treze minutos. O silêncio sepulcral deles chegou a assustar. Na verdade, comemorávamos tanto que demoramos a ver o quão atônitos eles estavam. Em campo, os uruguaios passaram a apelar para as faltas. Violência que o juiz não coibiu. Chutes, pontapés desleais, cotoveladas… técnica do desespero que, aliás, eles repetiriam no jogo em Porto Alegre. O intervalo veio e o que me recordo foi de uma briga gigante no alambrado entre a polícia uruguaia e torcedores do Peñarol. Voou pedaço amarelo e preto para todo lado. O segundo tempo morno, até que eles empataram. Sinceramente, o resultado não foi justo. Merecíamos ter ganho aquele jogo. Mais importante, porém: haveria a segunda partida em Porto Alegre no dia 28 de julho.

O Olímpico estava cheio. Muito cheio mesmo. Conheço gente que, apesar de ter ingresso, não conseguiu entrar. O fato é que o jogo em si começou muito agitado e veloz. Logo de começo, marcamos o gol. Casemiro fez um lançamento longo para Osvaldo que se infiltrou pelas costas dos jogadores da defesa uruguaia e, na área, chutou. Quando já achávamos que a bola passaria, Caio deixou sua marca, deu um carrinho e enfiou a pelota nas redes. Primeiro gol.

Desesperados, os uruguaios começaram a agredir. Acho que ali eles viram que a taça não lhes pertenceria mais, ficaria em Porto Alegre. Lembro-me de uma falta no Tarciso que o juiz deixou barato. A verdade é que os uruguaios abriram-se e nós deixamos de marcar ainda no primeiro tempo. Algum nervosismo transparecia. No segundo tempo, os uruguaios passaram a cavar faltas no ataque e a técnica deu certo, porque foi numa destas que eles empataram. Ninguém esmoreceu em campo, os jogadores esforçaram-se ainda mais e a resposta veio. Tarciso cobrou lateral para Renato que cruzou para César e este, de cabeça, marcou. Grêmio 2 a 1!

E daí o pau cantou. Brigas generalizadas. Uma cotovelada assassina de Ramos no Renato originou uma briga e o juizão acochambrou, expulsando os dois. Mas não havia mais tempo para os uruguaios.

Aquele time vitorioso conquistou com raça aquele título para nós e, no final daquele ano, venceria o Mundial. Nesses trinta e sete anos, muitas foram nossas vitórias e esse caminho vencedor tem de ser homenageado. Obrigado, Grêmio; obrigado, Casemiro, Osvaldo, Mazarópi, Paulo Roberto, De León, China, Tita, Tarciso, César, Renato, Caio e Baidek. Obrigado, Valdir Espinosa!

Obrigado por darem-me ainda mais motivos para ser tão louco pelo Grêmio. E que os próximos 37 anos sejam de mais narrativas como esta, que o Grêmio siga dando a todos nós gremistas, eternas crianças tricolores, memórias tão doces e tão vitoriosas.


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