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QUANDO UM DIA NEBULOSO NÃO MUDA UM SENTIMENTO

Escrito por em 14 de setembro de 2020

Um menino. Não mais do que 11 anos. Da vidraça da minha sala o observo andando a passos lentos, sob uma garoa fina e um minuano já congelante. Mochila às costas, parece se dirigir a alguma instituição, talvez com o objetivo de aprender algo, talvez por obrigação.

Mas um detalhe chama-me a atenção: máscara com a bandeira do Grêmio estampada, moletom preto com o escudo Tricolor. Parece não se importar com o ontem. Desfila sua “pilcha de gala”, tal qual os velhos caudilhos. Não lhe passa pela mente o tamanho da frustração que nós, adultos gremistas, estamos sentindo nesse momento.

Isso lembrou muito minha infância. Creio que esse ilustre desconhecido tenha a idade que eu tinha quando perdemos para o Ajax. Pros mais antigos, já contei essa história em outra coluna. Depois da crise de choro, veio o alento de ter visto, pela janela do meu quarto, meu vizinho (que deveria ter aproximadamente minha idade atual), desfilando orgulhoso com sua camisa Tricolor.
E naquele momento, eu entendi o que de fato é a instituição GRÊMIO!

O Grêmio deixou de intimidar os adversários? Sim. O Grêmio perdeu seu futebol envolvente de outrora? Sim. O Grêmio está nos fazendo passar mais raiva do que o habitual? Sim. O Grêmio deixou de ser o Grêmio? Não, jamais! O Grêmio pode voltar a ser tudo isso? Não só pode, como irá! A história sempre provou isso.

E é por isso que, seja no longínquo 1995, seja no malfadado e heroico 2005, seja nos dias atuais, as camisas, abrigos, bonés, faixas, e agora até a maldita máscara…nada disso que tiver as três cores terá tempo pra cheirar a mofo e naftalina. Porque desde o berço, nos acostumamos a ter orgulho do time que torcemos, levamos cada pedra no caminho como uma a mais pra construir nossa fortaleza mais adiante…e principalmente, levamos ao pé da letra a expressão “com o Grêmio aonde o Grêmio estiver”.

O pequeno ilustre, enquanto eu escrevia esse texto, desaparecia no horizonte. Exatamente como aqueles tempos nebulosos, que se confundem com essa tarde cinzenta de inverno, em que nós, dos 80 dias aos 80 anos de vida, jamais deixamos essa paixão se perder.

Dias ruins passam. O Grêmio, fica. Não amamos o Grêmio pelos títulos apenas. Amamos o Grêmio por, parafraseando o saudoso Paulo Sant’anna, porque “ser Gremista é o sonho delirante de não saber ser na vida outra coisa”

Que os berços da vida continuem formando torcedores como nós. Que xingamos a tudo e a todos quando preciso, mas que não conseguimos abandonar essa paixão desvairada de jeito nenhum.

Seremos eternamente o menino que anda pela chuva, sabendo que é isso que temos hoje pra enfrentar. Mas na esperança dos lindos dias de primavera, que amanhã ou depois voltarão a raiar.


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