VALORES INVERTIDOS: O CHORO DO CAPITA

Escrito por em 19 de agosto de 2021

Maicon sentiu. Nem foi a lesão. Maicon sentiu que não consegue mais entregar o que gostaria.

O choro é emblemático. Ele vê a nau afundando e a banda tocando pagode. Ele está tentando, mas sabe, no fundo do seu coração, que tem listras azuis, que não pode mais.

O capita é o retrato da desgraça que o Renato deixou pro Grêmio, desde o dia em que virou manager, com a conivência do economista que entende tanto de futebol quanto eu de energia nuclear.

Enquanto dentro do Grêmio falam em Copa do Brasil, a torcida só implora pra não reviver a antessala do manicômio chamada série B.

O pagode corre frouxo. Geromel, outrora meu ídolo, deu piti no sábado na derrota aos 48, mas logo depois estava lá, no meio do fuzuê.

Mais do que o choro de alguém que quer e não consegue, Maicon representa a inversão de valores do Grêmio. Ele quer se aposentar aqui, de forma digna, e deixar o Grêmio no lugar que merece. E outros, que estão aqui só de passagem, mas com vigor físico pra entregar mais, estão preocupados com o apito inicial, o apito final, e a roda de pagode. Quiçá a pausa pra hidratação.

O choro do Maicon ontem é o nosso choro de hoje. Choro de lágrimas e sangue. Choro de quem, a exemplo de nós, torcedores, tenta de tudo e parece que nada dá certo.

Que Deus tenha piedade de nós. Porque aparentemente, os adversários não terão.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA


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